O FUNDADOR DO OPUS DEI EM SÃO PAULO (fioretti-VII)

O DESCOBRIMENTO DO BRASIL
O padre Antônio Vieira dizia, num sermão de 1669, que «os olhos veem pelo coração». Foi através de seu coração cheio de amor a Deus e de zelo apostólico que São Josemaria, desde que aterrissou nesta terra, viu o Brasil.
Apenas dois dias depois de sua chegada a São Paulo, em 25 de maio de 1972, comentava, num dos primeiros encontros que teve com grupos numerosos de pessoas:
«Faz pouco mais de quarenta e oito horas que estou aqui e já aprendi muito. Aprendi que este país é um país maravilhoso, que há almas ardentes, que há pessoas que valem um tesouro diante de Deus nosso Senhor; que vocês sabem trabalhar e mexer-se; que sabem formar famílias numerosas, recebendo os filhos como o que eles são, um dom de Deus…”
»Tanta terra e tão fecunda, tão formosa! Eu creio que as vossas almas são como esta terra: aqui tudo é generoso, tudo é abundante; os frutos deste país são mais doces, mais fragrantes… E, depois, vocês têm os braços abertos a todo o mundo: aqui não há distinções. Poderíamos repetir palavras da Escritura: gentes de todos os povos aqui encontram a Pátria, uma Pátria amadíssima. Eu já me sinto brasileiro… Meus filhos, tenho um grande remorso; não ter vindo antes ao Brasil».
«O Brasil! – exclamava no Parque Anhembi –. A primeira coisa que eu vi é uma mãe grande, bela, fecunda, terna, que abre os braços a todos, sem distinção de línguas, de raças, de nações, e a todos chama filhos. Grande coisa é o Brasil! Depois, eu vi que vocês se tratam de uma maneira fraterna, e fiquei comovido».
Eram lisonjas amáveis? Não,era muito mais do que isso. São Josemaria queria despertar os corações dos brasileiros que o escutavam para que compreendessem que os grandes dons naturais recebidos de Deus eram, ao mesmo tempo, um fortíssimo apelo para assumir grandes responsabilidades. Por isso, dizia:
– «Esta terra é grande, e precisa de temperamentos grandes em todos os setores, em qualquer tarefa, porque não há tarefa pequena. Então, toca a mexer-se, a fazer muitas coisas boas nesta terra, que é tão feraz.
»No Brasil há muito a fazer – acrescentava, como quem conclama a assumir essa rsponsabilidade −, porque há pessoas precisadas até das coisas mais elementares. Não só de instrução religiosa – há tantos sem batizar! –, como também de elementos de cultura comum. Temos de promovê-los de tal maneira que não haja ninguém sem trabalho, que não haja um ancião que se preocupe porque esteja mal assistido, que não haja um doente que se encontre abandonado, que não haja ninguém com fome e sede de justiça, e que não saiba do valor do sofrimento».
E alargava essas perspectivas cristãs para horizontes espirituais:
«Neste país, naturalmente, vocês abrem os braços a todo o mundo e o recebem com carinho. Eu quereria que isso se convertesse num movimento sobrenatural, num empenho grande de dar a conhecer a Deus a todas as almas; de se unirem, de fazer o bem não só neste grande país, mas no mundo todo. Podem! E devem! E, dado que o Senhor lhes dá os meios, dar-lhes-á também a vontade de trabalhar.
»Vocês têm que fazer sobrenaturalmente o que fazem naturalmente; e depois, levar esse empenho de caridade, de fraternidade, de compreensão, de amor, de espírito cristão a todos os povos da terra. Entendo que o povo brasileiro é e será um grande povo missionário, um grande povo de Deus, e que vocês saberão cantar as grandezas do Senhor por toda a terra».
Textos do livro de F.Faus São Josemaria Escrivá no Brasil, Quadrante 2007.