O FUNDADOR DO OPUS DEI EM SÃO PAULO (fioretti-VIII)

 

NOS NOSSOS CORAÇÕES HÁ UM CÉU
Com estas palavras cheias de beleza – «nos nossos corações há habitualmente um Céu» –, São Josemaria expressava o mistério da presença da Santíssima Trindade na alma do cristão.
É força de expressão? É um exagero devoto? Não. É uma das verdades mais fascinantes do cristianismo, que a teologia denomina a “in-habitação da Santíssima Trindade na alma do justo”, ou seja, na alma do batizado que está em graça de Deus.
Foi Cristo quem nos revelou este mistério: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos a nossa morada (Jo 14, 23).  E, falando do Espírito Santo, acrescentou que o Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber porque não vê nem o conhece, vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós” (Jo 14, 17).  Entende-se o entusiasmo com que São Paulo falava desse mistério revelado por Cristo: Não sabeis que sois templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? (1 Cor 3, 16), e repisava: Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual recebestes de Deus…? (1 Cor 6, 19).
O Pai, o Filho e o Espírito Santo, a Trindade santíssima, única e indivisível, habita na nossa alma em graça como num templo, como no seu próprio lar. São Josemaria saboreava essa verdade com uma fé incandescente, e compreendia, como o entendem os santos, que o mistério da Trindade nos revela que Deus é Amor (I Jo  4, 8), que nos ama e quer viver conosco. Toda “alma enamorada”, como a de Mons. Escrivá, ao vislumbrar esse Amor divino que se une intimamente a nós, vibra de paixão espiritual.
«Este mistério inefável da Trindade! – exclamava São Josemaria em 27 de maio de 1974 –. É inefável, porque não há palavras capazes de explicá-lo. Quando me acontece – e isso ocorre muitas vezes – fazer a oração pensando na Trindade e na Unidade de Deus, e utilizo para tanto tratados de teologia, se surge em mim um vislumbre, uma luz nova, comovo-me e fico contentíssimo … E quando vejo que não entendo nada, fico ainda mais contente. Digo-Lhe: Senhor, que alegria! Que pequeno serias Tu se coubesses nesta pobre cabeça minha! Dá-me muita alegria render a minha inteligência na presença de Deus, sabendo, além disso, que o tenho na minha alma. Aí é onde o procuro…, procurem-no também vocês aí».
Trecho do livro de F. Faus São Josemaria Escrivá no Brasil, Quadrante 2007, págs. 30-31