A meditação: como fazê-la

Já falamos da “oração mental” (veja texto abaixo), e agora falaremos um pouco da “meditação”, que é uma forma de oração semelhante e, ao mesmo tempo, diferente da oração mental, ainda que as duas estejam bastante interligadas e se “encontrem” em muitos momentos, como veremos.

O “Catecismo da Igreja Católica” diz – citando Santa Teresa de Ávila – que a “oração mental” é «um relacionamento íntimo de amizade em que conversamos… a sós com Deus», e a chama também «comunhão de amor» (nn. 2709-2719). Ou seja, é sobretudo -como dizíamos ao falar nela – diálogo íntimo e espontâneo.

Por sua vez, o mesmo Catecismo, quando fala da “meditação” diz que «é sobretudo uma procura; o espírito procura compreender o porquê e o como da vida cristã, a fim de aderir e responder ao que o Senhor pede» (n. 2705). E acrescenta: «Geralmente utiliza-se um livro» e, assim, «meditando no que lê, o leitor se apropria do conteúdo lido, confrontando-o consigo mesmo» (n. 2706). Quer dizer que faz da leitura um espelho em cujo fundo Deus se reflete e, em confronto com Deus, a pessoa pode ver-se melhor a si mesma, aos seus ideais e seus deveres.

É importante entender o como é que isso pode ser vivido. Vejamos algumas sugestões:

1º) Primeiro, um conselho prático: reservar diariamente uns minutos para a meditação em lugar e com duração fixos (podem ser aqueles mesmos dez ou mais minutos de que falávamos ao tratar da oração mental: alguns dias faremos, nesse tempo, só oração mental, totalmente espontânea; outros, só meditação; e com frequência – muitas vezes – começaremos com a meditação e partiremos para o diálogo íntimo da oração mental).

2º) A meditação tem como ponto de partida, normalmente, um “livro”. O Catecismo fala de três tipos de livro: a) livros impressos (um trecho da Bíblia ou de um livro espiritual, escolhido por nós, ou que nos foi aconselhado); b) o livro da natureza (quando meditamos diante do mar, dos campos e montanhas, de um jardim, sobre a grandeza e beleza de Deus Criador); c) o livro da nossa vida (como eu sou, o que é que acontece comigo, por que me sinto vazio, por que não consigo isso ou aquilo, como cumpro os meus deveres, que virtudes eu tenho ou me fazem falta, etc.).

3º) É preciso fazer o esforço de refletir. Não há mais remédio que vencer a preguiça. Mas não devemos meditar como quem “estuda”, “racha”, para uma prova escolar, para um concurso ou para preparar uma palestra. A oração sempre deve ser simples e sincera. Por isso, não é prático demorar-nos num texto difícil, vendo se conseguimos “descascar o abacaxi” (tal dificuldade a estudaremos ou consultaremos outra hora). Detenhamo-nos sempre num texto claro, que nos facilite ver melhor algo que Deus pede, ou algo que acontece conosco e deveria mudar, e deixemos de lado (para outra ocasião) os textos pouco claros para nós. Às vezes, basta ler, reler devagar e meditar uma única frase, “como quem chupa bala”, até que o “sabor” entre na alma.

4º) Ajuda muito tomar algumas notas em um caderno ou agenda (de papel ou eletrônica): anotar algumas frases que nos “tocaram”, ou “luzes” concretas sobre modos de melhorarmos, ou resoluções que nos propomos levar à prática. E, sempre, no meio da reflexão, é bom ir entremeando, como pequenas faíscas que aquecem o coração, orações breves, como: “Jesus, faz com que eu veja!”, “Senhor, se queres podes limpar-me!”…

5º) Como diz o Catecismo, temos que «passar dos pensamentos à realidade» (n. 2706), à vida real e prática, a conclusões que mudem e melhorem algo. Nunca ache que a meditação é inútil. Se a cabeça, algum dia, está cansada ou obtusa, fique só lendo e relendo (“chupando bala”). O livro “Caminho” diz, com toda a razão: «Persevera na oração. – Persevera ainda que o teu esforço pareça estéril. – A oração é sempre fecunda» (n. 101).

6º) Quer ver os frutos bons da oração, mesmo daquela que parece inútil?

a) em primeiro lugar, são frutos as resoluções práticas, que nos incentivam a lutar para pensar melhor, trabalhar melhor, tratar melhor a Deus e aos outros, etc. (resoluções concretas que é bom anotar também na agenda, como “programa”);

b) às vezes, bastará – já será um bom fruto -que tenhamos captado uma “luz”, e fiquemos felizes com isso: “Agora entendo o que é ser humilde! Agora vejo como é verdade que ser teimoso nas discussões, achar que sempre estou com a razão e desprezar o ponto de vista dos outros é orgulho, é falta de humildade; tenho que mudar (ver “Sulco”, n. 263).

c) outras vezes, um grande fruto – mesmo que não nos ocorram resoluções concretas – será sairmos da oração melhor dispostos (talvez num dia em que estávamos estressados ou de mau humor), com paz na alma, com mais sede de Deus e de servir os outros.

Todos esses são frutos ótimos, que Deus faça possam brotar muitas vezes da nossa meditação!