O verdadeiro “bem” dos filhos

O maior bem dos filhos

 Um dos maiores amores do mundo é o que – com algumas tristes exceções – os pais têm pelos filhos. Sai-lhes da mais entranhada fibra da alma querer bem a seus filhos e desejar o melhor para eles.

Mas são poucos os que entendem qual é o maior bem dos filhos.

Muitos dirão que o maior bem é a saúde, porque é um pressuposto básico de quase todos os outros bens: «Tendo saúde, tudo se pode superar, tudo se pode conseguir!». Será preciso, como é lógico, acrescentar uma boa educação (procurar – como costumam dizer muitos pais orgulhosos dos filhos – que “não fumem, não bebam, não caiam na droga”) e proporcionar-lhes um preparo profissional de excelência, que lhes permita ter segurança e  bom nível material de vida pessoal e familiar.

Será que isso é o “maior bem”, o “melhor” para os filhos? Tudo o que acabamos de mencionar é excelente, sem dúvida, mas não é o mais “essencial” e, em vários aspectos, nem sequer é “imprescindível” (Há, por exemplo, pessoas com sérias deficiências físicas ou com carência de bens materiais que são fantásticas, realizadas e felizes).

Seria um contrassenso que o bem mais “essencial” fosse desprezado, deixado de lado pelos pais. Faltando o essencial, todas as coisas “boas” dos filhos ficam como os materiais excelentes de uma ótima casa… que não tem alicerces nem pilares sólidos. É bom lembrar o que Cristo diz da casa construída sobre areia movediça: Caiu a chuva (das dificuldades e provações), vieram as enchentes (momentos de crise e tormenta familiar, profissional ou social), os ventos sopraram e se abateram contra aquela casa (injustiças, perseguições, inimizades, falência, dívidas, etc.), e ela desabou. Sua ruína foi grande (Mt 7,27).

 Daí a grande importância de não perdermos nunca de vista qual é o verdadeiro bem do homem, o único bem imprescindível, sem o qual nenhum dos outros se sustenta.

A resposta a essa questão já foi dada por Cristo: Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder a sua alma? Ou que poderá dar o homem em troca da sua alma? (Mt 16, 26).

São palavras que brilham como um farol no meio do nevoeiro. Nenhum “bem” vale a pena se a alma estiver privada da Vida divina, da Verdade e da Graça de Deus. Com efeito, sem a graça divina, uma alma está “morta” e, então, as melhores qualidades e “bens” de que possa dispor não passam de flores vistosas enfeitando um corpo sem vida. Estando ausente a vida, “de que aproveitam” as flores?

Os pais deveriam pensar mais nisso, todos os pais cristãos deveriam ser capazes de compreender o que significa Cristo, o único Caminho, Verdade e Vida (Jo 14,6), e o valor de uma eternidade feliz. Uma e outra vez deveríamos repetir-nos que “querer bem” outra coisa não é senão “querer o bem” dos filhos, e que não pode haver “bens” autênticos quando falta Deus. «A quem tem Deus – dizia Santa Teresa de Ávila – nada lhe falta». A quem não o tem – poderíamos acrescentar – falta-lhe o suporte que impede que as melhores coisas (família, amor, alegria, sentido da vida) se esfarelem.

É excelente, sem dúvida – como víamos -, o empenho dos pais em que os filhos tenham saúde, cultura, bem-estar, capacitação profissional que lhes permita enfrentar com segurança o futuro. Mas é um empenho muito mais excelente e vital – por ser decisivo nesta terra e na eternidade – esforçarem-se com a sua oração, o seu exemplo e uma orientação prudente e contínua, para que os filhos conheçam as verdades da fé cristã – a doutrina salvadora de Cristo – e aprendam a amá-las e praticá-las. Podem ter a certeza de que as virtudes cristãs de um filho vão fazer-lhe, ao longo da vida, um bem infinitamente maior do que todos os diplomas ou contas bancárias que lhes possam proporcionar. Mil vezes mais vale a fé do que a saúde, a união com Deus do que o sucesso. Só as virtudes cristãs são os tesouros verdadeiros de que Cristo falava (Mt 6, 19-20). E somente esses tesouros proporcionam àqueles que amamos a “realização” – o bem pleno -, quer nesta terra, quer na eternidade. 

Sem esta convicção, todos os carinhos cheios de boa vontade podem vir a desfazer-se como um sonho ilusório. Por isso, sempre deveria ecoar em nossos ouvidos, como um norte para a vida e, especificamente, para a família, o segredo que Cristo confidenciou a Marta: Tu te inquietas e te perturbas por muitas coisas; no entanto, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada (Lc 10, 41-42).

A “melhor parte” é estarmos junto de Cristo, segui-lo atentos às suas palavras, fazer do Amor de Deus e da sua santa Vontade a estrela que guie a nossa vida.

Aí está o verdadeiro bem do homem.

 

(inspirado em trechos do livro de F.Faus: O homem bom)