Magnanimidade

[PARTE III: ROTEIROS DE MEDITAÇÃO SOBRE VIRTUDES]

26.  GUIA: A MAGNANIMIDADE

Um primeiro traço da fortaleza

1. Ao começarmos a meditar sobre a fortaleza (cap. 24), víamos que essa virtude cardeal tem, como um primeiro traço fundamental, a capacidade de enfrentar, empreender, assumir ideais, tarefas ou deveres elevados.

Esse traço básico da fortaleza, manifesta-se na coragem e, mais especificamente, na magnanimidade, que literalmente quer dizer “alma grande, “grandeza de alma”.

Santo Tomás de Aquino escreve que «o magnânimo tende  para aquilo que é grande» (Suma teológica 2-2, 129,4). Poderia traduzir-se também por “lança-se” ao que é grande. Diz ainda o santo doutor que «o magnânimo é difícil e contentar… Ele vai atrás da perfeição das virtudes» (Ibidem, 129,1)

É a vitória do amor e da fortaleza sobre a pusilanimidade (alma pequena), a mesquinhez, o conformismo e o medo.

Aspectos da magnanimidade

2. Uma descrição bastante completa da magnanimidade encontra-se no livro Amigos de Deus (n. 80), de São Josemaria. Vamos aproveitar trechos desse texto para meditar:

• A magnanimidade «é a força que nos move a sair de nós mesmos, a fim de nos prepararmos para empreender obras valiosas, em benefício de todos». A primeira obra valiosa em favor de muitos é lutarmos para ser santos (vocação de todo batizado), pois é uma grande verdade que «essas crises mundiais são crises de santos» (Caminho, n. 301).

Depois, há grandes metas, objetivos, iniciativas valiosas − familiares, culturais, profissionais, patrióticas, sociais… −, que é preciso encarar sem encolher-se. E não esperar que outros as realizem e nos sirvam de bandeja tudo feito para nós colaborarmos. O poeta Antonio Machado, através de uns versos famosos, nos indica o rumo a seguir: «Caminhante, são teus passos/ o caminho e nada mais;/ caminhante, não há caminho,/ faz-se caminho ao andar».

Perante a nossa resistência e o receio de aspirar a essas metas altas, nos fará bem meditar também os versos de Fernando Pessoa sobre a gesta marítima dos portugueses a caminho da Índia: «Valeu a pena? Tudo vale a pena/ se a alma não é pequena./ Quem quer passar além do Bojador/ tem que passar além da dor».

O que custa – como já víamos – é superar o medo do sacrifício e do sofrimento, sem os quais não se faz nada grande.

• «No homem magnânimo não se alberga a mesquinhez: não se interpõe a sovinice, nem o cálculo egoísta nem a trapaça interesseira». É bem claro.

Quem começa a calcular, com medo ou “avareza”, se vai dar ou não vai dar, se vai custar muito ou pouco, se haverá tempo, se compensa o esforço, que vantagens haverá…, esse nunca sairá do acostamento, nunca entrará na estrada grande, nunca sairá da mediocridade e da passividade, e chegará ao fim da vida com as mãos vazias.

É interessante o que a Bíblia diz, no livro dos Provérbios, dessas almas pequenas: O preguiçoso se julga prudente (Pr 26,16). Acha-se perspicaz e é míope. Morre sem “ver”.

• «O magnânimo dedica sem reservas as suas forças ao que vale a pena… Não se conforma com dar: dá-se». Essa é a resposta vigorosa à tentação do calculismo.

A alma grande é generosa. Por isso, detesta os vícios dos falsos magnânimos: a petulância, o exibicionismo, a vaidade, a ambição, a procura de compensações. Dá, dá-se sem pedir nada em troca, e pratica o conselho de Jesus: Que a tua mão esquerda não saiba o que faz a direita (Mt 6,3).

• «Magnanimidade é ânimo grande, alma ampla, onde cabem muitos». Esta é uma das mais belas características da magnanimidade. No coração do magnânimo não cabem apenas os familiares, os amigos e os colegas. “Cabem muitos”. Tem uma visão larga, enxerga longe, vê um campo enorme para fazer o bem, e alguém tem de fazê-lo. Por isso, sabe trabalhar para o futuro, sem pressa de saborear logo os resultados.

 

Questionário sobre a magnanimidade

 

─ Procuro ter uma alma generosa, estando sempre disposto a me propor ideais e metas elevadas, disposto a crescer sem me deter antes da hora, a amadurecer nos verdadeiros valores do homem e do cristão?

─ Quando sinto a tentação de ser “normal”, de ser “como todo o mundo”, procuro lembrar-me de que o modelo do cristão é Cristo, e que o ideal da vida é o que Ele nos propõe?

─ Compreendo que a mediocridade não depende das circunstâncias e limitações externas nem  da monotonia dos meus deveres habituais, mas das disposições do meu coração?

─ Sinto como dirigidas a mim as palavras de Cristo no Sermão da Montanha, resumo dos ideais cristãos: sede perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos Céus?

─ Ao pensar no que Deus me pede, fico retraído por medo do sacrifício, sem me lembrar de que Deus ajuda as almas generosas e «não se deixa ganhar em generosidade»?

─ Tenho grandeza de alma para desculpar, perdoar, compreender e passar por cima de pequenezes inevitáveis, especialmente em relação aos companheiros de trabalho em iniciativas educativas, sociais, apostólicas?

─ Quando me disponho a colaborar em coisas grandes, tenho presente que «tudo o que é grande começou por ser pequeno»? Procuro cuidar a constância e a responsabilidade nos detalhes que vão assentando os alicerces do empreendimento?

─ Compreendo que a perfeição nos pequenos deveres cotidianos é o trampolim que permite que meus trabalhos “cresçam”? Tenho fé em que «um pequeno ato, feito por amor»  tem um valor grande aos olhos de Deus?

─ As dificuldades são para mim um freio ou um motivo de desânimo ou, pelo contrário, um desafio que me espicaça a lutar sem perder a confiança em Deus e nos meus colaboradores?

─ Peço a Deus um coração grande, alimentado pelo seu próprio amor, um coração que se assemelhe cada vez mais ao Coração de Cristo?

 

Conclusões (Procure tirar as suas conclusões e anotá-las)