Novena do Espírito Santo (6)

Sexto dia: O DOM DE FORTALEZA

TODOS. – Vinde, Espírito Santo, Vós que sois a “força da destra de Deus”, com o canta a Liturgia, infundi a vossa graça nos nossos corações e cumulai de forças a nossa fraqueza.
LEITOR 1. – Como nos dias anteriores, hoje vamos começar lembrando em que consiste o novo dom sobre o qual vamos meditar: o dom de Fortaleza.
LEITOR 2. – Há uma definição bastante breve: é o dom que nos torna capazes de assumir com coragem as lutas necessárias para levar uma vida cristã, uma vida santa. Essas lutas espirituais são de dois tipos. Alguém se lembra deles?
LEITOR 3. – Acho que sim. O primeiro consiste em ter coragem para correr atrás dos ideais grandes e das virtudes difíceis que Deus nos pede, sem fugir deles por medo, nem desistir a meio caminho porque o esforço custa e cansa. O segundo é a paciência necessária para aceitar com firmeza as contrariedades, incompreensões e até mesmo perseguições que possam surgir, quando nos decidirmos a ser cristãos de verdade.
LEITOR 1. – Perfeitamente. E, sabem qual é o exemplo máximo de fortaleza cristã?
TODOS. – O martírio! Ter a coragem de dar a vida por amor a Deus antes que renegar da fé e antes que ofender a Deus. É o exemplo que nos têm dado inúmeros santos: Antes morrer que pecar!
LEITOR 3. – Como é bonito, por exemplo, o testemunho dos mártires brasileiros, que são muitos…
TODOS. – Como muitos? Será que nunca nos falaram deles?
LEITOR 3. – Pois, se foi assim, é uma pena. Por isso, acho que vale a pena lembrar, ainda que resumidamente, dois exemplos maravilhosos, e peço a Deus que isso os anime a ler e conhecer melhor a santidade heróica de outros católicos brasileiros . O primeiro exemplo é o dos mártires do Rio Grande do Norte. Durante o domínio holandês, houve uma perseguição de protestantes contra os católicos. Em 16 de julho de 1645, soldados holandeses, com o auxílio de guerreiros indígenas, invadiram uma igreja em Cunhaú, durante a Santa Missa. Logo depois da elevação da hóstia, martirizaram barbaramente o celebrante, o padre nonagenário André de Soveral, e mais 69 fiéis (homens, mulheres, crianças), que morreram invocado Jesus e Nossa Senhora. Dois meses e meio depois, em 3 de outubro, foram martirizados, à beira do rio Uruaçu, o padre Ambrósio Francisco Ferro e várias dezenas de fiéis católicos, enquanto se ouvia a voz do leigo Mateus Moreira rezando: “Louvado seja o Santíssimo Sacramento”. Todos estes mártires foram beatificados por João Paulo II. Mais recentemente, foi beatificada também uma maravilhosa menina catarinense de doze anos, a Bem-aventurada Albertina Berkenbrock, que, em 15 de junho de 1931, imitando o exemplo de Santa Maria Goretti, preferiu morrer antes que ofender a Deus cometendo um pecado grave contra a castidade, apesar das pressões e ameaças do homem que acabou matando-a. Que exemplos para a fé e a moral tão fraquinhas de muitos católicos atuais!
TODOS. – Que Deus nos perdoe as nossas fraquezas. Acho que, realmente, nós não seríamos capazes de fazer o que fizeram esses nossos irmãos brasileiros, heróis da fé e do amor a Deus. Custa dizer: antes morrer que pecar!
LEITOR 1. – Eu também estou certo de que, sem o auxílio da graça e do dom de fortaleza, nenhum de nós conseguiria ter a coragem de abraçar o martírio. Mas não fiquemos só pensando nessas situações extraordinárias, que muito provavelmente nunca se apresentarão na nossa vida. Pelo contrário, todos nós precisamos diariamente de coragem e fortaleza para enfrentar e suportar, tal como Deus nos pede, muitas dificuldades. Alguém nos poderia dar alguns exemplos dessa fortaleza no dia-a-dia?
LEITOR 2. – Se não me engano, faz parte da fortaleza cristã, por exemplo, a paciência que a mãe precisa de ter com os filhos, ou a professora com os alunos rebeldes … E também a firmeza que uma moça católica bem formada precisa ter para não ceder às tentações contra a castidade no namoro, ou nos ambientes de balada e bebida em que há muita licenciosidade … E a força moral de que precisa um advogado, um policial, um fiscal da receita, um gerente de vendas e tantos outros profissionais, para não se deixarem corromper com propinas ou acordos desonestos… E ainda a coragem de mostrar as convicções cristãs, sem alarde nem agressividade, mas também sem covardia, quando Cristo, a Igreja e as suas instituições, ou algumas verdades da fé ou princípios de moral são atacados ou ridicularizados…
TODOS. – Podemos fazer uma pausa? Acho que, com os exemplos que acabamos de ouvir, todos nós já começamos a “enfiar a carapuça” – como se costuma dizer –, e precisamos tomar mais consciência de algumas falhas e ofensas a Deus que cometemos freqüentemente, por fraqueza.
(pausa de silêncio)
LEITOR 1. – Nestes momentos de silêncio, eu estava pensando na facilidade com que dizemos, como desculpa, que “a carne é fraca”. E com que facilidade nos esquecemos de que, para um filho de Deus, “a graça é forte”.
LEITOR 2. – É verdade. São Paulo diz que o Espírito Santo vem em auxílio da nossa fraqueza , e, por isso, apesar de ele mesmo se sentir muito fraco, exclamava, cheio de alegria: Posso tudo naquele que me dá forças .
LEITOR 3. – É isso o que nós vemos acontecer no dia de Pentecostes. Os Apóstolos andavam encolhidos, apavorados, ainda cheios de medo dos que mataram Jesus. Mal recebem, porém, o Espírito Santo, na hora se põem de pé, enfrentam uma multidão de milhares de peregrinos que tinham ido à festa em Jerusalém, e começam a pregar sobre Jesus Cristo, com enorme desassombro: Que toda a casa de Israel saiba, com a maior certeza – clamava São Pedro em alta voz –, que este Jesus que vós crucificastes, Deus o constituiu Senhor e Cristo .
LEITOR 1. – Mas, vamos ver, antes de saírem de peito aberto diante de todos e arriscar a vida, o que eles fizeram?
TODOS. – O que nós víamos no primeiro dia da novena: rezar sem cessar, todos juntos, com Maria, a Mãe de Jesus, pedindo a força do alto.
LEITOR 1. – Perfeitamente. Rezar. Este é sempre o primeiro passo, que, como diziam os santos, deve preceder, acompanhar e seguir todas as nossas ações. Na Missa de Pentecostes, a Igreja se dirige ao Espírito Santo com estas palavras: Sem o vosso poder divino, nada há de bom no homem, nada há que seja puro. Portanto, rezar, rezar e rezar… Mas há um outro passo imprescindível. Alguém poderia nos falar dele?
LEITOR 3. – Creio que sim. Parece-me que, para obter a fortaleza de Deus, é preciso que nós nos esforcemos sinceramente, com generosidade, em colaborar, tomando a nossa cruz, como Cristo nos pede: Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me .
LEITOR 2. – Uma cruz que é o nosso sacrifício diário, voluntário, corajoso e simples ao mesmo tempo. Por exemplo, oferecer a Deus a mortificação de calar-nos, quando estamos irritados; de não nos queixarmos quando temos motivos de queixa; ou de comer um pouco menos do que mais gostamos, e um pouco mais do que não gostamos; ou o esforço de levantar na hora certa, sem conceder um minuto à preguiça; ou a mortificação de acabar até o fim, com perfeição, cada trabalho, ainda que estejamos mortos de cansaço; ou a mortificação de não deixar de fazer oração, leitura espiritual e outras práticas, mesmo num dia muito apertado de tarefas… .
TODOS. – Senhor, perdoai-nos. Vós morrestes por nós na Cruz, e nós temos medo de pegar na nossa cruz de cada dia, por amor a Vós e aos nossos irmãos. Ajudai-nos a preparar-nos para receber do Espírito Santo o dom de fortaleza, fazendo mortificações pequenas, freqüentes e generosas
LEITOR 1. – E, com essa oração, terminamos o nosso sexto encontro. Eu daria a seguinte sugestão de propósito concreto para este dia: pedir intensamente ao Espírito Santo o dom de fortaleza. E, ao mesmo tempo, fazer uma lista das nossas molezas e covardias, e, paralelamente, outra lista de mortificações práticas – de pequenos sacrifícios –que nos possam ajudar a vencer, com o auxílio da graça, essas fraquezas.