AS VERDADEIRAS ALEGRIAS – PÓRTICO

PÓRTICO

A borboleta azul

Vamos iniciar juntos, leitor, uma expedição à procura da alegria. Todos a desejamos. Todos queremos ser felizes. Mas sabemos por experiência que não é fácil.

Lembro que, faz uns anos, passando uns dias de descanso numa chácara cercada de bosques, gostava de andar pelas trilhas do mato. Com frequência, aparecia uma grande borboleta azul, que fazia questão de voar na minha frente. Ondulava, mas não deixava de me preceder no caminho por um bom trecho. Quando, porém, esperava me aproximar um pouco mais dela, dava uma guinada e se escondia no mato.

Não acha que muitas alegrias da nossa vida foram borboletas azuis? Por quê?

No caminho da vida, vamos encontrando indicadores que convidam: “Rumo à alegria”. Seguimos a seta vermelha, mas na maioria das vezes o caminho termina num brejo, numas moitas cerradas de espinheiros ou num beco sem saída…

Cemitério de alegrias perdidas

Antigamente, nas cidades e povoados, era comum que os cemitérios estivessem anexos à igreja. Lá – num lugar sagrado e perto de Deus – enterravam os falecidos. Ainda hoje uma das igrejas barrocas mais bonitas de Minas, a de São Francisco de São João del-Rei, mantém o cemitério ao lado: nele foi sepultado o presidente Tancredo Neves.

Nós – que deveríamos ser templos do Espírito Santo – também temos, grudado, junto do coração, o nosso “cemitério de alegrias mortas”. À beira das suas alamedas invisíveis, alinham-se os túmulos. Em cada um deles podemos ler uma inscrição:

─ “Aqui jaz a frustração da minha vida profissional”

─ “Aqui jaz a minha frustração familiar. Não soube construir uma família unida”

─ “Aqui jaz o ideal de vida que não soube transmitir a meus filhos”

─ “Aqui jaz o bem-estar que perdi, com fracassos que fizeram cair o meu teor de vida.

─ “Aqui jaz a saúde que já não tenho mais”

─ “Aqui jaz a juventude que se foi”

─ “Aqui jaz a estrela da fé, que eu mesmo apaguei”

─ “Aqui jaz…”

Chega! Vamos sair dessas alamedas tristes, porque é preciso descobrir que a alegria é sempre possível, e que muitas das alegrias mortas podem e devem ressuscitar, redivivas ou transformadas em outras diversas, mas maiores.

A alegria é um sonho real

Sem alegria não se pode viver. É preciso sonhar com a alegria, por maiores que tenham sido as nossas decepções. É o que vamos tentar fazer, com ajuda der Deus, na nossa expedição ao longo destas páginas.

Procuraremos introduzir-nos no nosso próprio coração, para lá fazer um balanço sereno das alegrias frustradas e das alegrias permanentes. E nos perguntaremos por quê. Pode ser que neste livro você encontre mais de uma resposta.

Ao mesmo tempo, tentaremos internar-nos no mundo de Deus, porque Ele é a minha alegria (Sl 43, 4). Por outro lado, ó Deus é luz (1Jo 1, 5) e, como diz o Salmo, só na tua luz, vemos a luz (Sl  36, 10). Por isso, vale a pena procurar a alegria com o olhar posto em Deus. Já lhe adianto – mesmo que neste momento não acredite – que não obteremos as respostas que tanto desejamos  se não nos animarmos a entrar com confiança nesse mundo de Luz, onde sempre jorram as fontes da verdadeira alegria.

Por isso, “prepare o seu coração”, como diz a canção popular, e comecemos a nossa expedição.