NOVENA DO NATAL: 2- SÃO JOSÉ

2 – SÃO JOSÉ

TODOS. – Senhor, nosso Deus, concedei-nos a vossa graça para que, auxiliados pela intercessão de Nossa Senhora e de São José, possamos preparar -nos dignamente para acolher, com a alma pura e o coração generoso e sincero, a vinda do vosso Filho, nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

LEITOR 1. – Hoje, no segundo dia da Novena, vamos olhar para a figura de São José. Vejam: no Presépio, ele está sempre um pouco recuado, quase na sombra, olhando para o Menino e amparando Maria e Jesus com a sua vigilância amorosa,. Que figura, São José! O Evangelho o define com uma só palavra: Era justo. Vale a pena meditarmos nisso…

TODOS: Senhor, ajudai-nos a aprender do exemplo de São José!

LEITOR 2. – Penso que nos ajudará lembrar que, quando a Bíblia diz de alguém que é justo, quer dizer que é bom, que é reto, que está sempre “ajustado” com Deus, ou seja, que está sempre em plena sintonia com Deus, com os seus preceitos e os seus pedidos…, numa palavra, que é santo; e que, por isso mesmo, é também íntegro e honesto com os outros.

LEITOR 3. – Que bonito! Parece-me que será ótimo meditarmos sobre o Natal de São José, porque ele teve um caminho sofrido, cheio de sombras e de luzes, até chegar ao Natal… E penso que poderemos ver como ele foi reto, no meio das dificuldades, como foi leal com Deus e com Maria naqueles momentos desconcertantes em que não podia entender o que estava acontecendo.

LEITOR 1. – Realmente, não foi nada fácil para ele. Lembremo-nos do Evangelho. São Mateus conta que, depois de Maria ter concebido por virtude do Espírito Santo, José, seu esposo, que era um homem justo e não queria infamá-la, resolveu deixá-la secretamente… Precisamos refletir bem sobre essas palavras, pois não é na hora que se apanha todo o seu sentido. O que fica claro desde o começo – porque o Evangelho o diz explicitamente – é que José resolveu abandonar Maria secretamente porque era justo, precisamente porque era justo: esse foi o motivo. Deus – que inspirou o texto sagrado de São Mateus – quis mostrar-nos com essas palavras que a resolução de José foi um ato de bondade, de retidão.

LEITOR 3. – Com certeza foi isso! José percebeu a gravidez de Maria, que era um tremendo mistério entre ela e Deus. E aqui começou a sua reação, que eu acho comovente. Em nenhum momento quis pensar mal dela. Nem por um segundo admitiu a possibilidade de que nela houvesse a menor sombra de pecado ou de traição….

TODOS. – Ele a amava, ele a conhecia, ele percebia a pureza santíssima dos olhos, dos gestos, da alma de Maria… Quem nos dera ter um coração tão nobre e generoso como o dele!

LEITOR 2. – Olhando para Maria, José sentia-se envolto num mistério inefável que o ultrapassava. E Deus… permitiu que sofresse… Eu acho que foi para que nós víssemos o que é ser justo, o que é ser bom. Porque, não querendo nem por sombra pensar mal, a primeira coisa que lhe veio à cabeça foi proteger Maria, não acusá-la. Nem pensou em se proteger ou defender a si mesmo…

LEITOR 1. – Justamente pelo grande amor que tinha à Virgem Maria, para não difamá-la, para não dar nem de leve a impressão de que a acusava, preferiu ficar pessoalmente mal; passar – se assim o quisessem pensar os outros – por um irresponsável, um covarde, que deixa a noiva grávida e não quer assumir… Dessa maneira, ela ficava inocentada.

TODOS. – É isso mesmo! José preferiu sujar a sua própria imagem, antes que profanar aquele amor santo, que o próprio Deus tinha feito nascer entre ele e Maria.

LEITOR 1. – Sim. Ser reto é isso: fazer o que a consciência indica como o melhor caminho, o mais certo, o mais perfeito aos olhos de Deus, ainda que esse bom caminho nos traga sacrifícios e prejudique os nossos interesses. José era reto porque agia por motivos retos, puros (por amor, por fidelidade, por honradez, porque via aquilo como seu dever…), e não se deixava arrastar por motivos “tortuosos” (nem pelo interesse, nem pela vaidade de preservar a sua reputação, nem pelo comodismo de lavar as mãos e dizer “eu não sei de nada”…).

TODOS . – Precisou de muita coragem!

LEITOR 3. – E de muita fé em Deus, como Maria. Aquilo era saltar no escuro. Era lançar todo o seu futuro nas mãos do Senhor, e esperar que Ele cuidasse de tudo como um Pai.

LEITOR 2. – Eu acho que a vida de José também se poderia resumir assim: foi um homem justo, um homem de Deus que soube amar e, por isso, deu tudo, em silêncio, sem procurar nada para si…

TODOS. – Deu a sua honra, renunciou aos seus planos pessoais, deu a vida… Soube desprender-se totalmente de si mesmo por amor.

LEITOR 2. – Como custa o desprendimento, não é? Como é fácil deixar que o interesse seja a motivação forte das nossas ações, dos nossos desejos, dos nossos pensamentos, dos nossos projetos! Poucos dizem: “Vou fazer isto porque é bom, porque é justo, porque é verdadeiro, porque vai fazer bem aos outros, porque Deus me pede.., ainda que me contrarie, que me doa, que me exija sacrificar coisas que muito aprecio”.

LEITOR 3. – Quantos casais rezariam mais e lutariam melhor para superar desavenças se pensassem assim, em vez de dizer que estão saturados, que não agüentam mais, ou que chegou a hora de cada um “viver a sua própria vida”, ou de “aproveitar a vida enquanto é tempo”… José não quis aproveitar nada. Só quis ser bom e fiel. E tudo por amor.

LEITOR 1. – Por isso Deus o amou com predileção. Passados os primeiros momentos de angústia, o Senhor tranqüilizou-o. Enquanto assim pensava – diz o Evangelho –, eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: “José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela foi concebido é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e tu lhe porás o nome de Jesus, porque Ele salvará o seu povo dos seus pecados”.

TODOS. – Que alegria deve ter inundado a alma de José, ao receber essa mensagem! Com que carinho imenso, com que admiração, com que veneração olharia para Maria, a partir daquele momento!

LEITOR 2. – E, com certeza, se antes já era justo e vivia em plena sintonia com a Vontade de Deus, a partir desse instante iria ser ainda mais justo e reto. Vejam que a vida de José se pode escrever com as mesmas palavras com que Deus lhe vai manifestando a sua Vontade. Recebe as indicações de Deus com o coração aberto de par em par, e não perde um minuto hesitando, negaceando… Ao contrário, na hora, com muita paz e serenidade, com a segurança do homem de consciência pura, começa a pôr em prática o que Deus lhe manifesta.

LEITOR 1. – Lembrávamos há um instante a primeira voz de Deus que ele ouviu: Não temas receber Maria. E o que é que José fez?

TODOS – Despertando do sono, fez como lhe ordenou o anjo do Senhor, e recebeu sua esposa. Obedeceu sem titubear.

LEITOR 2. – E é fantástico ver que sempre fez a mesma coisa. Quando Deus o chamou para que fugisse para o Egito, livrando o Menino da perseguição de Herodes…

TODOSlevantou-se de noite, tomou o Menino e sua Mãe e partiu para o Egito.

LEITOR 3. – … E quando, após a morte de Herodes, Deus lhe pediu que voltasse para a sua terra…

TODOSlevantou-se, tomou o menino e sua Mãe e voltou para a terra de Israel.

LEITOR 2. – Sempre a perfeita sintonia com a vontade de Deus!

LEITOR 1. – Esta é a grande lição que José nos dá hoje. Vamos pedir-lhe que nos ajude a ser justos, a ser retos e a não torcer os caminhos da consciência com os desvios do interesse e da vaidade; que nos ensine também a ser retos nos nossos juízos sobre os outros: a não pensar precipitadamente nem julgar mal; que nos ensine a estar sempre em sintonia com o que Deus quer. Pensemos que, se a partir de hoje a nossa história se pudesse escrever um pouco mais em harmonia com a vontade de Deus, com o que Ele nos diz no fundo da consciência, teríamos aproveitado muito bem este segundo dia da Novena.

 

TODOS. – Ó Deus de bondade, que nos destes Maria e José como exemplo, concedei-nos imitar as suas virtudes para que, unidos pelos laços do amor, possamos chegar um dia às alegrias da vossa casa. Por Cristo, nosso Senhor.