NOVENA DO NATAL: 3 – VISITAÇÃO

3 – MARIA VISITA ISABEL

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Oração. Senhor, nosso Deus, concedei-nos a vossa graça para que, auxiliados pela intercessão de Nossa Senhora e de São José, possamos preparar-nos dignamente para acolher, com a alma pura e o coração generoso e sincero, a vinda do vosso Filho, nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

LEITOR 1. – Hoje vamos contemplar de novo a figura de Maria. Fixemos bem a atenção nela. Lembremo-nos de que, no primeiro dia da Novena, nós a víamos abrindo as portas do coração a Deus, pronunciando um sim puro e cristalino àquilo que o Anjo lhe anunciava da parte do Senhor: anunciava-lhe que Deus, o Filho de Deus, vinha ao mundo para nos salvar, e pedia à Virgem Maria que aceitasse ser a sua Mãe. Ela aceitou, e o Verbo se fez carne no seu ventre imaculado e habitou entre nós.

TODOS. – Não custa muito imaginar como ficou extasiada, depois da Anunciação. Tinha Deus no seu seio. Começava a amar o seu Deus como Mãe!

LEITOR 2. – Não acham que teria sido muito natural que ela se ensimesmasse, ficasse concentrada em si mesma, se absorvesse nesse mistério inefável que já habitava nela….?

LEITOR 3. – Sim, claro. Tinha motivos de sobra para ficar concentrada nisso, com a cabeça e o coração fascinados pela graça recebida, pela missão que Deus acabava de lhe confiar. Como não ficar pensando no Filho, no futuro, nesse porvir novo, que ela jamais tinha imaginado?

LEITOR 3. – O impressionante é que não fez assim; quero dizer que não ficou enclausurada em si mesma, pensando no seu mistério interior. Aí está a beleza da alma de Maria! Não ficou ensimesmada, mesmo tendo tantas razões para fazê-lo.

LEITOR 1. – Foi isso exatamente o que aconteceu, e o Evangelho o descreve assim: Por aqueles dias – isto é, logo depois da Anunciação –, pôs-se Maria a caminho e dirigiu-se à pressa para a montanha, a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias – o marido da sua prima Isabel – e saudou Isabel… Será bom procurar entender por que fez isso. O que a moveu a ir correndo à casa da sua prima Isabel?

TODOS.- Com certeza foi o seu amor, um amor tão grande que a fazia esquecer-se de si e voltar-se com carinho para Deus e para as necessidades dos outros.

LEITOR 2. – É isso mesmo que o Evangelho nos mostra… No dia da Anunciação, o Anjo Gabriel, para explicar a Maria que era possível tornar-se Mãe de Jesus e permanecer virgem, deu-lhe – como víamos há dois dias – uma prova palpável de que nada é impossível para Deus. A prova era que a sua parenta Isabel tinha concebido um filho na velhice e estava já no sexto mês, ela a quem chamavam estéril. O Anjo mencionou isso só de passagem, como ilustração do poder de Deus. Maria, porém, captou nessa notícia um apelo: a prima Isabel, já idosa, estava para ter o seu primeiro filho; com certeza precisaria de apoio, de ajuda… Bastou-lhe tomar consciência dessa necessidade, para se esquecer imediatamente de si mesma e partir à pressa para ajudar Isabel….

LEITOR 1. – Aqui temos um exemplo encantador do amor de Maria pelo próximo: tão delicado, tão generoso, tão pronto. Nestes dias passados, destacávamos algumas palavras, cheias de luz, que nos ajudavam a meditar. Acho que hoje, contemplando Maria, também podemos sugerir duas palavras, dois verbos que indicam qualidades do verdadeiro amor aos outros: adiantar-se e adivinhar.

LEITOR 3. – Que acham se começamos pela segunda palavra? Pensando no que nos sugere a palavra adivinhar?

TODOS.– Vai ser ótimo pensar nisso! Já dá para perceber que essa reflexão nos vai trazer uma mensagem muito positiva.

LEITOR 2. – De fato. Essa palavra, “adivinhar”, me faz lembrar que houve um escritor cristão que dizia: “Amar é adivinhar”. Tinha razão. Quem não é capaz de adivinhar o que o outro precisa, o que sente, o que o faz sofrer, não ama de verdade. Não se trata de ser vidente nem de ter poderes paranormais. Basta ter carinho, porque então vemos…

LEITOR 3. – É mesmo. O marido que ama de verdade percebe, vê, que a mulher precisa de um gesto de afeto, de um sorriso de agradecimento, de uma palavra de consolo… A mulher vê que o marido precisa de bom humor lá em casa, de um ambiente positivo e encorajador, que compense os dissabores profissionais… O irmão vê que a irmã menor – ou vice-versa – precisa de uma ajudazinha no estudo, porque está aflita na véspera da prova…

LEITOR 1. – E, igualmente, poderíamos acrescentar que no trabalho, na rua, na pobreza de muitos, na doença de outros, nos sofrimentos e aflições de tantos que nos cercam, aquele que ama ouve uma voz silenciosa, um apelo mudo dirigido à sua capacidade de ajudar, de consolar, de acompanhar, de fazer o bem… Ele adivinha!

TODOS. – Meu Deus, fazei com que sempre tenhamos os olhos abertos e o coração sensível para as necessidades do próximo!

LEITOR 2. – Como seria triste que o nosso “aparelho receptor”, por causa do nosso egoísmo, não captasse essa longitude de onda… Que só apanhasse as vibrações do seu próprio eu. Para a pessoa egoísta, o que não é do seu interesse não tem voz nem vez. O que incomoda e pede sacrifício, para essas pessoas, é inaudível.

LEITOR 1. – Há uma maneira disfarçada de ser egoísta e de não adivinhar… Sabem qual é? É dizer: “Eu sou muito distraído; gosto muito de vocês, mas sou meio aéreo, esqueço-me, não me dou conta do que vocês precisam…” Na verdade, noventa por cento das vezes, o esquecimento é a conseqüência de pensarmos demais nas nossas coisas e pouco nas dos outros. O eu ocupa tanto espaço na cabeça e no coração que os outros não cabem… O esquecido, o distraído, não consegue adivinhar.

LEITOR 3. – É evidente que Maria nunca andava esquecida, nunca estava distraída ou desligada do que afligia os outros. Acho que todos recordamos a cena das Bodas de Caná. Naquela festa de casamento, a Mãe de Jesus foi a única a “captar” que, por um descuido – por não terem calculado bem a quantidade de vinho – a alegria da festa podia acabar em fiasco… Então adiantou-se, falou com Jesus; e conseguiu que o Filho fizesse – porque ela intercedeu – o primeiro milagre: a conversão da água em vinho. Amar é adivinhar, e, depois, adiantar-se, como Maria fez em Caná… É claro que amar não se reduz a essas duas atitudes, mas elas são fundamentais.

LEITOR 2. – Acaba de mencionar a segunda palavra: adiantar-se!

TODOS. – Que Deus nos ajude a compreender a mensagem que essa segunda palavra – “adiantar-se” – nos traz!

LEITOR 2. – Sim. Eu diria – é o que me parece – que adiantar-se é dedicar-se ao serviço dos outros, sem necessidade de que nos peçam e sem esperar que nos retribuam. Há quem fique aguardando que os outros se manifestem para dar uma mão; e quando lhe pedem alguma ajuda concreta, reage com má vontade; ou se desculpa dizendo que não pode; ou presta o serviço de cara amarrada, reclamando.

TODOS.– Como é tocante ver que Maria servia sorrindo, como uma boa filha de Deus, e adiantava-se como uma Mãe solícita!.

LEITOR 1. – Falando de adiantar-se, não podemos esquecer-nos de que essa é uma das características mais belas e profundas do amor do próprio Deus. Posso mencionar dois trechos da Bíblia, do Novo Testamento?

LEITOR 3. – Claro. Estamos aqui, sobretudo, para meditar a palavra de Deus.

LEITOR 1. – Ótimo. O primeiro é de São Paulo, e diz: Deus demonstra o seu amor para conosco pelo fato de Cristo haver morrido por nós quando ainda éramos pecadores. Quer dizer, Deus deu tudo, antes de que nós lhe tivéssemos dado coisa alguma, e sem aguardar que lhe retribuíssemos a sua doação. O segundo trecho é de São João, muito bonito: Nisto consiste o seu amor – o amor de Deus –: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi Ele que nos amou primeiro e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados. Deus é assim. Deus adianta-se no amor!

LEITOR 2. – Já pensaram que Jesus fez o seu auto-retrato usando a imagem do Bom Pastor? O Bom Pastor toma a iniciativa, adianta-se e sai à procura da ovelha perdida, mesmo daquela que continua fugindo – dessa ovelha meio-perdida que somos todos nós –, e não descansa até encontrá-la. E a sua maior alegria é carregá-la de volta, com carinho, sobre os ombros, até o lugar seguro, até a terra de Deus.

TODOS. – Obrigado, meu Jesus. Quem me dera saber imitar esse teu amor que não se cansa, que não desiste nunca de nós!

LEITOR 3. – “Que coisa admirável, Senhor – dizia Santa Teresa –, que procures quem não te procura, que cures quem não quer ser curado e até ama a sua doença…” Diz Jesus que haverá mais alegria no Céu por um pecador que se arrependa do que por noventa e nove justos que não têm necessidade de penitência…

LEITOR 2. – Sim, o Bom Pastor nos mostra a alegria de Deus, a alegria de nos salvar. A alegria é inseparável do amor e do serviço bem vividos. Mas também é inseparável do serviço a elegância, que consiste em servir sem exibir-se, dar sem cobrar retorno, sacrificar-se sem se fazer de vítima, fazer o bem e esquecer… Pensemos, a título de exemplo, em coisas muito pequenas do dia-a-dia, como procurar, lá em casa, pôr no lugar o que outros bagunçaram, desligar a luz que se esqueceram de apagar, atender o telefone ou a campainha que ficam tocando sem que ninguém os atenda…, e fazer isso sem queixar-se nem reclamar dos que se omitem.

TODOS. – Como é bom enxergar aplicações – pequenas e grandes – da lição de amor que Maria nos dá!

LEITOR 1.–Penso que agora é um excelente momento para nos perguntarmos coisas muito concretas. Por exemplo: Será que, nestes dias que precedem o Natal, nos estamos esforçando por adivinhar necessidades alheias que antes nos escapavam? Quantas vezes nos adiantamos? Quantos serviços ocultos prestamos, quantas ajudas e colaborações já demos, daquelas de que só nós e Deus ficamos sabendo? Esse balanço pode fazer-nos acordar de um sono egoísta e levar-nos a descobrir – sob a luz do exemplo de Maria – o fantástico panorama de amor e de serviço que temos dia a dia à nossa espera. Peçamos à nossa Mãe Santíssima que nos ajude a parecer-nos, nisso, um pouco mais com ela.

 

TODOS. – Ó Deus todo-poderoso, que inspirastes à Virgem Maria a sua visita a Isabel, levando no seio o vosso Filho, fazei-nos dóceis ao Espírito Santo, para que vejamos constantemente ocasiões de amar e de servir os nossos irmãos. Por Cristo, nosso Senhor.