NOVENA DO NATAL: 7 – A ADORAÇÃO DOS MAGOS

7 – A ADORAÇÃO DOS MAGOS

TODOS. – Senhor, nosso Deus, concedei-nos a vossa graça para que, auxiliados pela intercessão de Nossa Senhora e de São José, possamos preparar- -nos dignamente para acolher, com a alma pura e o coração generoso e sincero, a vinda do vosso Filho, nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

LEITOR 1. – Neste sétimo dia da Novena, vamos continuar a olhar para os Magos. Só que hoje os contemplaremos – ou os imaginaremos – na cena da adoração, que o Evangelho descreve assim: Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dele, o adoraram. Muitos pintores famosos deixaram-nos quadros belíssimos dessa cena. Ajoelhados, ou inclinados perante o Menino Jesus, os Magos o adoram, com o olhar extasiado, e lhe oferecem os presentes que trouxeram.

LEITOR 2. – Eu me permitiria observar que, nesta cena, aparece uma palavra ou, por melhor dizer, uma atitude, que merece uma boa reflexão: adorar. Creio que é uma das atitudes mais elevadas, mais sadias e mais necessárias para nós, os homens.

TODOS. – É uma coisa maravilhosa! Saber adorar a Deus! Tudo iria muito melhor, em nossa vida e no mundo, se aprendêssemos a adorar a Deus!

LEITOR 1. – Vocês estão dizendo uma grande verdade! Adorar é uma palavra cheia de conteúdo. Significa, em primeiro lugar, reconhecer Deus e dizer-lhe: Tu és o meu Deus e o meu Senhor! Depois, significa admirar com alegria a imensa grandeza, beleza e bondade de Deus. Em terceiro lugar, significa inclinar-se diante dEle com respeito e com obediência de filhos. E, ainda, em quarto lugar, significa fazer da vida um contínuo ato de agradecimento ao Senhor. Muitas coisas, não é?

TODOS. – Mas todas parecem importantes. Não será bom vê-las uma por uma?

LEITOR 1. – Vamos lá, então. Víamos que adorar é, primeiro, reconhecer. Quando dizemos “Tu és o meu Deus!”, estamos reconhecendo: “Eu não sou o meu deus!” Já pensamos nisso? Nenhum de nós comete a tolice de dizer com a boca: “Eu sou Deus”, mas muitos de nós o dizemos com a vida…

LEITOR 2. – Sim. Porque nos dedicamos a adorar-nos a nós mesmos e queremos colocar tudo aos nossos pés. Penso que todos recordamos que, quando o diabo tentou Jesus no deserto e lhe pediu que o adorasse, Jesus o repeliu dizendo: Para trás, Satanás, pois está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a Ele servirás.

LEITOR 1. – Mas nós nos adoramos a nós mesmos, e não a Deus, quando pensamos: “Primeiro procuro o que eu quero, obedeço à minha vontade, sirvo o meu interesse, e depois verei se tenho tempo de pensar no que Deus quer”… Ou, então, dizemos: “Na conduta, na moral, no casamento, no namoro, etc., eu digo o que é certo e errado, o que tem importância e o que «não tem nada»; eu determino a minha moral, eu «escolho» a minha religião, e não preciso nem de perguntar a Deus nem de que me falem da lei de Deus”.

TODOS. – Os Magos não quiseram ser deuses: adoraram a Deus!

LEITOR 3. – Vocês não acham que só podemos adorar bem a Deus quando o conhecemos bem? Porque, quando o vamos conhecendo, Ele nos cativa e nos deslumbra com a sua bondade e a sua verdade. Dia após dia, causa-nos mais admiração e desperta mais amor. Sentimos desejos cada vez mais inflamados de compreendê-lo, de vê-lo – procurarei, Senhor, o teu rosto!, dizemos, com o Salmo –, e entendemos que uma alma santa afirmasse: “A adoração é o êxtase do amor”.

LEITOR 2. – Falando em conhecer a Deus, vale a pena lembrar que o Natal fez com que o rosto de Deus, que nós não vemos, se fizesse visível no rosto de Jesus, que é Deus e homem verdadeiro. Esta é uma das grandes alegrias destas Festas santas. São João Evangelista maravilhava-se com isso, e dizia: Ninguém jamais viu a Deus. O Filho único, que está no seio do Pai, ele no-lo deu a conhecer. Por isso, quem quiser ver a Deus deve olhar atentamente para Cristo, deve começar por conhecê-lo melhor.

TODOS. – O mesmo Jesus disse: Quem me vê, vê o Pai.

LEITOR 3. – Se o conhecêssemos de verdade, tal como aparece nos Evangelhos, o nosso coração arderia de amor, e brotaria em nós uma sede de estar com Ele tão intensa, que ficaríamos felizes ao pensar nEle, ao sentir-nos perto dEle…, sobretudo ao encontrá-lo intimamente nessa loucura de amor que é – como dizia um grande santo – a Eucaristia!

LEITOR 1. –Adorar, afinal, é amar. E confiar. Quando nos inclinamos para Jesus com um grande amor, confiamos totalmente nEle. Encaramos com plena confiança tudo o que Ele pede, tudo o que Ele manda. O amor faz nascer o desejo de agradar-lhe em tudo e de obedecer-lhe sempre…

TODOS. – Que poucas pessoas entendem que obedecer a Deus, aos seus mandamentos e aos da sua Igreja, é amá-lo!

LEITOR 2. – E, no entanto, deveríamos meditar que Jesus nos disse uma e outra vez que a obediência a Deus é a chave do verdadeiro amor: Se me amais, guardareis os meus mandamentos… Se guardardes os meus mandamentos, sereis constantes no meu amor. E, falando da Igreja que Ele fundou – a minha Igreja, como Ele a chamava –, dizia aos Apóstolos, aos chefes dessa Igreja: Quem a vós ouve, a mim ouve; quem a vós despreza, é a mim que despreza. Infelizmente, a obediência a Deus e aos representantes de Deus é como uma gata borralheira, que muitos cristãos desprezam… Precisamos resgatá-la…

LEITOR 1. – Vamos agora a uma última reflexão. Conta o Evangelho que os Magos, como ato de reconhecimento e de louvor a Jesus, depois de prostrar-se diante dele em adoração, abriram os seus tesouros, e ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra. Cada presente tinha um significado. Sabemos qual é?

LEITOR 2. – Parece-me que, ao colocarem o ouro aos pés de Jesus, era como se dissessem: “Todo o ouro do mundo, ao lado do meu Deus, de Jesus menino, é pó. Todas as coisas materiais, se não nos levam a Jesus, se não as usamos de acordo com o espírito de Cristo, para louvar e servir a Deus e amar os outros, são lixo, são lama em que nos atolamos”. Só o amor a Deus e ao próximo transforma as coisas materiais, as tarefas materiais, as preocupações corriqueiras, em ouro puro aos olhos de Deus.

TODOS. – E o incenso aos pés de Jesus?

LEITOR 3. – Eu vejo o incenso que se queima e desaparece, enquanto se eleva em nuvens perfumadas, como um símbolo de adoração. Quando, na igreja, se oferece incenso a Deus, é como se todos nós disséssemos: “Não há vida mais bela, não há coração mais belo, que aquele que se queima – que queima a borra do seu egoísmo – e se transforma em perfume oferecido a Deus”.

TODOS. – E a mirra?

LEITOR 3. – Eles põem mirra aos pés de Jesus. Sabemos que a mirra era muito valiosa, mas muito amarga. A Jesus, quando estava no Calvário, ofereceram-lhe uma bebida com mistura de mirra, e a usaram também para embalsamar o seu corpo. Por isso, a mirra sempre foi vista como um anúncio da Paixão. Talvez esse presente significasse, numa antevisão, o agradecimento a Jesus pela infinita manifestação de amor que foi a sua morte na Cruz por nós. Talvez significasse também que o mistério da Cruz não pode estar ausente da vida do cristão, ou seja, que devemos aprender a ofertar a Jesus as nossas dores – aceitando a vontade de Deus – e os nossos sacrifícios voluntários.

LEITOR 2. – Depois de refletir sobre os presentes dos Magos, ocorre-me que o Natal é tempo de presentes. Que bom seria se pensássemos, primeiro, nos presentes que vamos oferecer a Jesus Menino. Muitos oferecem, nestes dias, orações especiais, sacrifícios um pouco mais custosos e, com muito carinho, atos de serviço para aliviar e alegrar pessoas carentes, desempregados, crianças, velhos, doentes…, lembrando-se de que Jesus dizia: Tudo o que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, é a mim que o fizestes. Não seria hoje um bom momento para fazer exame de consciência e perguntar-nos: “Eu não poderia fazer mais alguma coisa pelos necessitados neste Natal?”

LEITOR 1. – É uma boa pergunta, agora que terminamos a reflexão deste sétimo dia. Hoje, creio que podemos dizer, como ontem, que os Magos nos deixam a luz de um belo exemplo. Junto de Jesus, eles nos dizem: “Adorar com amor, essa é a atitude certa da criatura humana diante de Deus”. E nos animam a descobrir as riquezas desse espírito de adoração, que nos faz admirar a Deus e extasiar-nos com Ele; que desperta fome de conhecê-lo; que nos move a louvá-lo; que nos anima a obedecer-lhe; e que, por fim, faz nascer na alma ânsias de agradecer o amor que Ele nos tem, oferecendo-lhe os nossos dons. Os Magos, depois de adorar Jesus, voltaram para o seu país inundados de uma imensa alegria. Peçamos a Nossa Senhora e a São José que a adoração de Jesus, neste Natal, também nos deixe impregnados dessa imensa alegria.

 

TODOS. – Ó Deus, sede a luz dos vossos fiéis e abrasai os seus corações com o esplendor da vossa glória, para adorarem sempre o Salvador e a ele se entregarem com alegria. Por Cristo, nosso Senhor.