NOVENA DO NATAL: 8 – AS PORTAS DE BELÉM

8 – AS PORTAS DE BELÉM

TODOS. –  Senhor, nosso Deus, concedei-nos a vossa graça para que, auxiliados pela intercessão de Nossa Senhora e de São José, possamos preparar-nos dignamente para acolher, com a alma pura e o coração generoso e sincero, a vinda do vosso Filho, nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

LEITOR 1. – Estamos nos aproximando do final dessa nossa preparação para a vinda de Jesus. O Natal está cada vez mais perto. Por isso, hoje já começaremos a olhar para Belém, aonde Maria e José chegaram afinal, buscando pousada,  e procuraremos fazer uma reflexão que seja, ao mesmo tempo, um exame de consciência pessoal um pouco mais profundo, como se fosse um pequeno retiro espiritual de preparação para o Natal.

TODOS. – Que bom fazer assim, hoje que a maioria dos cristãos se esquece, infelizmente, de Jesus que vai nascer e só pensa em presentes, comida, bebida e coisas materiais!

LEITOR 2. – Uma coisa que vemos em todos os presépios é que o lugar onde Jesus nasceu é pobre: um estábulo onde se recolhe o gado. Umas vezes, tem a aparência de uma gruta – assim deve ter sido na realidade – e outras, a de um telheiro ou galpão de adobe e tábuas, chão batido e palha.

LEITOR 1. – É assim mesmo, porque o Evangelho diz que Maria e José chegaram a Belém para se recensear, e estando eles ali, completaram-se os dias dela. E deu à luz seu filho primogênito e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o numa manjedoura; porque não havia lugar para eles na estalagem.

TODOS. – Pensar que Maria ia dar à luz e não achou nem uma só casa que a acolhesse!

LEITOR 2.– Todas as portas se fecharam. José foi batendo numa, noutra, também na hospedaria atulhada de viajantes…, e ninguém abriu. Todos disseram que não. Por isso, o nosso Deus teve que nascer no desamparo, num refúgio de animais, e o seu berço foi o presépio, a manjedoura onde o gado come a palha e o feno.

LEITOR 3. – … E uma velha tradição – que se conserva carinhosamente até hoje – diz que o único calor que a Sagrada Família recebeu, na Noite de Natal, foi o bafo quentinho de um burro e de um boi ou uma vaquinha.

LEITOR 1. – Não havia lugar para eles… Todas as portas fechadas. Vale a pena meditarmos hoje sobre isso. Há um fato real, e é que Jesus continua a encontrar fechadas as portas de muitos corações. Perguntemo-nos como é que vai encontrar as nossas, quando vier na noite de Natal.

TODOS. – Jesus, que eu não te feche as portas e saiba oferecer-te, neste ano,  uma hospedagem carinhosa num coração limpo!

LEITOR 2. – Se me permitem, fazer uma consideração, eu acho que nos pode ajudar, nessa reflexão, perceber que o ferrolho que tranca a porta do coração é sempre um não dito a Deus; assim como a chave de ouro que a abre é sempre um sim, como o que pronunciou Maria Santíssima no dia da Anunciação.

LEITOR 1. – Certo. Por isso, pode ser útil para nós perguntarmo-nos: “Eu digo sim a Deus, ou digo não?” Creio que todos nós poderíamos dirigir-nos a Jesus, neste Natal – hoje mesmo –, com íntima sinceridade, e dizer-lhe: “Jesus, eu te peço perdão porque, muitas vezes, tenho fechado a porta quando Tu batias; tenho passado o ferrolho do meu não”.

LEITOR 3. – Que dor! Cada não a Deus foi um ato de egoísmo nosso, algum tipo de falta de amor. Cada não a Deus é uma escolha que fazemos, colocando-nos a nós na frente e passando Deus para trás. Dentro de cada não, esconde-se algum inimigo do amor…

TODOSÉ mesmo. Infelizmente, é um inimigo que se chama pecado… Pecar – que pena! – é sobretudo recusar-se a amar…

LEITOR 1. – E cada recusa concreta tem um nome concreto. Sim. Cada recusa tem algum destes sete nomes, bem conhecidos: orgulho, avareza, luxúria, ira, gula, inveja e preguiça. São os sete grandes ferrolhos que trancam a porta. São os sete pecados capitais.

LEITOR 2. – Com certeza, a soberba, o orgulho, é o pior. Torna-nos convencidos, arrogantes, auto-suficientes, vaidosos. Leva-nos a desculpar e justificar todos os nossos erros e a não aceitar correções ou conselhos de ninguém. Leva-nos a criticar e a pôr as culpas de tudo nos outros. Faz-nos desprezar o modo de ser das outras pessoas. Enclausura-nos dentro de nós mesmos. Incha-nos como um balão…

TODOS. – Meu Deus, como é fácil cair nisso… Tende piedade de nós e livrai-nos deste mal!

LEITOR 3. – Mas há uma chave de ouro que abre essa porta:  é a humildade. Por isso, Jesus, o nosso Salvador, o Médico que agora vem curar-nos, começa por dar-nos no Presépio um exemplo de humildade. Sendo Deus, faz-se pequeno, a última das criancinhas deste mundo…

LEITOR 1. – Outras portas foram trancadas pela avareza. A chave de ouro que as abre é a generosidade. A avareza – sabemos bem disso – é aquele egoísmo que nos faz agarrar-nos ao nosso tempo, aos nossos planos, ao nosso dinheiro, aos nossos gostos, que não queremos dar nem compartilhar com os outros. É o pecado do adjetivo possessivo, que fica sendo adjetivo obsessivo: meu, meu, meu…

TODOS. – Meu Deus, também é fácil cair nisso… Tende piedade de nós e livrai-nos deste mal!   

LEITOR 3. – Mas Jesus, que é Deus, quis nascer pobre e desprendido, dando tudo e dando-se todo, para assim curar também a nossa avareza. Jesus Menino só diz tu, tu, tu… “É para ti e para a tua salvação que eu vim ao mundo”…

LEITOR 1. – A luxúria é outro pecado capital. Consiste na procura desordenada dos prazeres do sexo egoísta. E a chave de ouro que abre essa porta é a castidade, ou seja, a pureza do coração, dos olhos, da imaginação e do corpo; é o amor esponsal puro, belo, ardente e fiel: o amor que encontra o seu sentido pleno no sacramento do Matrimônio, a aliança santa que faz – com a bênção de Deus – de duas vidas uma só. E o ponto alto da castidade é – para aqueles a quem Nosso Senhor assim o pede – o amor total que faz dedicar alma, coração e corpo – a vida inteira, como Maria – ao serviço de Deus e dos irmãos, no santo celibato.

TODOS: Senhor, tende piedade das nossas fraquezas, e fazei de nós testemunhas da pureza cristã no meio de um mundo dominado pela sensualidade doentia e descontrolada.

LEITOR 3. – Que alegria pensar que Jesus quis vir ao mundo através da pureza cristalina de uma Mãe, que é a Santíssima Virgem Maria. E quis ser cuidado por José, varão castíssimo e fiel.

LEITOR 1. – Prossigamos vendo – sempre em clima de exame de consciência – outro pecado capital: a ira. A chave de ouro que escancara as portas que a ira trancou é a mansidão. Como faz mal a ira! Que mal se vive com uma pessoa irritada, violenta, agressiva ou carrancuda, que está sempre de mau humor!

LEITOR 2. – No Natal vemos que a Sagrada Família foi desprezada, ficou abandonada no meio da rua, e não se irritou com ninguém. Neles tudo é paz. E Jesus, já desde o berço, diz, mesmo sem palavras: Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis repouso para as vossas almas. Que paz há em Belém!

TODOS: Jesus, manso e humilde de coração: dai-nos um coração semelhante ao vosso!

LEITOR 1. – E a temperança? Essa virtude é a chave de ouro para abrir a porta que a gula fechou. A gula! Os nossos abusos e desordens no comer, na bebida, na diversão, na televisão, na Internet… E que dizer das drogas, que começam a tecer a sua teia de aranha peçonhenta com a desculpa de que é “só para experimentar”…? Depois, livrar-se da teia é uma luta gigantesca…

LEITOR 2. – Jesus vive, desde o seu nascimento, uma vida sóbria, discreta, modesta, com uma contenção serena. Ele é o contrário de um consumista e de um hedonista… Estas duas atitudes, tão comuns nos dias de hoje, são verdadeiras correntes de aço que aprisionam a mente e o coração.

TODOS: Jesus, protegei-nos, a nós e às nossas famílias, das desordens da intemperança, que destroem tantas vidas e dividem tantos corações!

LEITOR 1. – E a inveja? Eis outro pecado capital que tranca os corações. Deixa-os crispados, despeja neles fel e vinagre, desperta ódios e maledicências… Mas a caridade é a chave de ouro, e consiste em querer o bem de todos, colaborar positivamente para o bem de todos, quer sejam amigos, quer inimigos…

LEITOR 3. – Ah, sim! Como Jesus, que ama até os que o torturam, o despojam de tudo e lhe tiram a vida, e reza com carinho por eles, e lhes estende a mão para que se salvem.

TODOSJesus, quando aprenderemos a vos agradecer tudo o que nos dais e a fechar os olhos e o coração para a inveja e o rancor?

LEITOR 1. – E, por fim, resta o sétimo ferrolho, o da preguiça, que não é um pecado tão inofensivo como parece. Quantas vezes os não que mais nos prejudicam e fazem mal aos outros procedem da preguiça, da falta de vontade de esforçar-nos, da falta de vontade de lutar, de ser responsáveis, de ser constantes, de sacrificar-nos. Quantas omissões sérias não há na nossa vida! Pois bem, a chave de ouro para abrir essa porta é a diligência, que significa o empenho por cumprir todos os nossos deveres com prontidão, acabamento e amor.

TODOS: Bom Jesus, Deus do Amor! Dai-nos o amor ao dever e o desejo de perfeição no trabalho, mesmo que seja cansativo e monótono.

LEITOR 3. – Como Jesus, que fez tudo bem, e jamais se poupou!

LEITOR 1. – Neste Natal, nós queremos abrir todas essas portas, não é verdade? Mas temos que entender que a única mão capaz de pegar nas chaves de ouro e de pô-las na fechadura é o amor. E, para nós, que somos pecadores, esse amor deve tomar muitas vezes – especialmente nesta preparação do Natal – a forma da contrição, que é a dor de não termos sabido amar a Deus como devíamos; é o arrependimento que leva à penitência, à reconciliação com Deus, à confissão. Quantas vezes uma boa confissão feita para preparar o Natal não tem sido o início de uma vida nova, de um novo nascimento. Peçamos a Jesus Menino que nos conceda a graça dessa mudança; que nos ajude a abrir as portas, mas a escancará-las bem, com generosidade, sem deixá-las presas com a correntinha de segurança, que só permite uma pequena fresta por onde Jesus não pode passar. Vamos dizer a Cristo: “Senhor, a porta está aberta. Podes entrar!”

TODOS. – Ó Deus todo-poderoso, concedei aos que gememos na antiga escravidão sob o jugo do pecado, a graça de confessar as nossas culpas e de sermos delas por Vós libertados, para assim preparar-nos com pureza para o Natal do vosso Filho que tão ansiosamente esperamos. Por Cristo, nosso Senhor.