EXEMPLO: 4 – O BOM PASTOR

EXEMPLO – 4- O BOM PASTOR

Passos que assinalam o caminho

Na bela parábola do Bom Pastor, Cristo reúne mensagens cheias de riqueza espiritual. É claro que a parábola é, em primeiro lugar, um autorretrato de Cristo – o bom pastor que dá a vida pelas suas ovelhas (Jo 10, 11) –  e, em segundo lugar, uma pauta para os pastores da Igreja. Mas as ricas virtualidades da palavra de Cristo atingem a todos, e, assim, a imagem do pastor que depois de conduzir todas as suas ovelhas para fora do aprisco, vai na frente delas, assinalando-lhes o caminho com seus próprios passos, e as conduz à pastagem  (cfr. Jo 10, 3 e 4) é especialmente ilustrativa para os que têm o dever de educar.

A imagem do bom pastor lembra-nos, acima de tudo, a necessidade de ir na frente simplesmente “caminhando”, marcando o rumo com a nossa conduta. Esse dever reveste-se de uma especial gravidade quando se trata dos pais. Assim o recordava São Josemaría Escrivá, numa homilia sobre a família: «Os pais educam fundamentalmente com a sua conduta. O que os filhos e as filhas procuram no pai e na mãe não são apenas uns conhecimentos mais amplos que os seus, ou uns conselhos mais ou menos acertados, mas algo de maior categoria; um testemunho do valor e do sentido da vida encarnado numa existência concreta, confirmado nas diversas circunstâncias e situações que se sucedem ao longo dos anos.

»Se tivesse que dar um conselho aos pais, dir-lhes-ia sobretudo o seguinte: que os vossos filhos vejam –  não alimenteis ilusões, eles percebem tudo desde crianças e tudo julgam –  que procurais viver de acordo com a vossa fé, que Deus não está apenas nos vossos lábios, que está nas vossas obras, que vos esforçais por ser sinceros e leais, que vos quereis e os quereis de verdade.

»Assim contribuireis da melhor forma possível para fazer deles cristãos verdadeiros, homens e mulheres íntegros, capazes de enfrentar com espírito aberto as situações que a vida lhes apresentar, de servir aos seus concidadãos e de contribuir para a solução dos grandes problemas da humanidade, levando o testemunho de Cristo aonde quer que se encontrem mais tarde, na sociedade»[1].

Um exame prático

Também o simbolismo do pastor  sugere-nos uma porção de perguntas. Formulemos umas poucas:

– quando quero incutir nos meus filhos o dever de estudar e aproveitar o tempo, dou-lhes antes, sempre, o exemplo pessoal de aproveitá-lo? (que não me vejam perder horas infinitas diante da televisão, em navegações inúteis na Internet, no celular, no face-book, etc, ou dormindo fora de horas);

– quando exijo ordem nas roupas, prateleiras, armários e horários, esforço-me primeiro em ser eu mesmo mais ordenado, a mais ordenada, nos meus papéis, contas bancárias e cartões,  prazos, livros e gavetas, roupas, etc, e na distribuição do meu tempo?

– se incentivo os filhos a serem generosos e respeitosos para com os outros, começo dando eu exemplo de generosidade com eles e com todas as pessoas que precisam do meu tempo ou da minha ajuda material ou espiritual; e, se lhes peço respeito, adianto-me antes a respeitá-los (e nunca os humilho com as minhas “broncas”, nem os ridicularizo, nem os rebaixo com comparações e censuras acachapantes); eles, além disso, me veem  tratar com deferência todas as pessoas, de qualquer nível e condição social, sem discriminações?

–  quando os incentivo a praticar a religião, a serem bons cristãos, por acaso eles contemplam em mim uma religiosidade sincera, quer porque lhes peço o que habitualmente já pratico (não só ocasionalmente e com as desculpas – que eles não engolem – de que sou muito ocupado e não tenho tempo); quer porque a minha religiosidade não consiste apenas numas práticas formais, mas consta de práticas vivas (oração, confissão, Missa e comunhão frequente, leituras formativas…), das quais se nota que tiro luzes e forças para o dia a dia, e se percebe que é precisamente da minha religiosidade que nascem uma maior alegria, mais paciência, boa disposição e carinho mais delicado para com todos?

É muito certa a comparação que se faz no “Diretório de pastoral familiar” (CNBB): “Os caminhos educacionais são semelhantes às trilhas nas florestas: não bastam os sinais indicadores; é preciso um guia, que vá à frente e mostre, com a sua experiência, as passagens mais seguras, os lugares menos perigosos, as picadas mais diretas. Da mesma forma, a alegria, a paz e todos os valores de um lar têm de encontrar a sua fonte na vivência dos próprios pais”[2].

 

Adaptação de um trecho do livro de F. Faus A força do exemplo



[1] São Josemaria Escrivá, É Cristo que passa, Ed. Quadrante, São Paulo 1975, n. 28

[2] Diretório de pastoral familiar (CNBB), pág. 102