EXEMPLO: 7 – VIVÊNCIA CRISTÃ NO LAR

EXEMPLO:  7 – VIVÊNCIA CRISTÃ NO LAR

Convicções: luz e calor do exemplo

– Jesus diz: Que adianta alguém ganhar o mundo inteiro, se perde a sua alma? (Mat 16, 26).  Os seus filhos, que veem os pais tão preocupados em que “ganhem o mundo inteiro”, ou seja, em que tenham sucesso profissional e social, sentem em vocês , pais, uma preocupação, no mínimo igual, pelas suas almas? “Sentem” que os pais sofrem mais se os veem cair em pecado mortal, se os veem fracassar na fidelidade matrimonial, do que se os veem falhar no vestibular, ou num concurso público ou num negócio?

– Jesus diz: Vinde, benditos de meu Pai! … Pois eu estava com fome e me destes de comer; estava com sede e me destes de beber […]. Todas as vezes que fizestes isso a um destes mais pequenos, que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes! […] (Mat 25, 34 ss.) Pais, será que, neste mundo interesseiro e ferozmente individualista, vocês ensinam seus filhos a não serem egoístas, a praticar a solidariedade com os outros, especialmente os mais necessitados? Ensinam-lhes que vale mil vezes mais participar de uma iniciativa semanal de voluntariado do que todas as “baladas” do mundo? Ensinam que é mil vezes mais maravilhoso dedicar um feriado longo a um projeto social entre os pobres, os deficientes, os doentes, os anciãos abandonados, que passar esse feriado amontoados com outros vinte rapazes e moças numa casa de praia, entre bafos de álcool, maconha, cocaína e promiscuidade sexual?… Mas…, será que vocês, pais, têm moral para ensinar? Será que o seu exemplo dá autenticidade aos seus conselhos?

– A nossa fé católica nos diz que «a Missa torna presente o sacrifício da cruz […], de modo que o único e definitivo sacrifício redentor de Cristo se atualiza incessantemente no tempo […]. Este sacrifício é tão decisivo para a salvação do gênero humano, que Jesus Cristo realizou-o e só voltou ao Pai depois de nos ter deixado o meio para dele participarmos como se tivéssemos estado presentes […][1]. A pergunta, agora, é: – Os filhos “percebem” que os pais têm consciência da grandeza sublime da Missa, de que cada Missa (por cima das circunstâncias periféricas, como o jeito do padre, o interesse ou tédio da homilia, a beleza ou cacofonia dos cânticos…) é a presença do máximo ato de amor de Deus por nós, o ápice do amor,  o cume da entrega de Jesus Cristo aos homens? Os filhos veem nos pais uma fé e um amor à Missa e, em geral, à Eucaristia, que arrepia a alma? Ou só os enxergam como cumpridores formalistas de um rito tradicional?

– O Catecismo da Igreja Católica, reafirmando o ensinamento multissecular da Igreja, diz: «A confissão individual e íntegra e a absolvição constituem o único modo ordinário pelo qual o fiel, consciente de pecado grave, se reconcilia com Deus e com a Igreja […]. O fiel tem obrigação de confessar, na sua espécie e número, todos os pecados graves de que se lembrar após diligente exame de consciência, cometidos depois do batismo e ainda não diretamente acusados em confissão individual» [2].

Pais, podem dizer que os filhos os veem amar e praticar frequentemente esse Sacramento da Reconciliação, a Confissão pessoal, que nos oferece a maravilha da misericórdia de um Deus que perdoa? Eles “percebem” que vocês não vão comungar sem antes confessar-se, se caíram infelizmente numa briga com ofensas graves, ou se deram o espetáculo de um abuso da bebida além de todas as medidas…?

Os primeiros educadores na fé

– O Catecismo da Igreja Católica lembra que «os pais são os primeiros responsáveis pela educação de seus filhos… Pela graça do sacramento do matrimônio, receberam a responsabilidade e o privilégio de evangelizar os filhos. Por isso, os iniciarão desde tenra idade nos mistérios da fé… A catequese familiar precede, acompanha e enriquece outras formas de ensinamento da fé … Os pais têm o dever de escolher as escolas que melhor possam ajudá-los em sua tarefa de educadores cristãos» (nn. 2223-2229).

Que vamos dizer a isso? Você, leitor que tem filhos, sente-se tranquilo? O que o Catecismo diz é um retrato da sua dedicação à formação cristã dos filhos? Pense e responda a Deus.

Eu só quero acrescentar que é uma incoerência que pais católicos fervorosos, que dispõem de meios, escolham, dentre vários colégios de nível equivalente, o que socialmente é mis badalado, mesmo sabendo que ali se confundem e pervertem as consciências dos alunos com ideias errôneas sobre a fé e a moral, tornando os escolares vítimas de uma propaganda ideológica perversa e nociva (mesmo em alguns centros de ensino médio e superior chamados “católicos”). Não hesito em afirmar que os pais que, por vaidade ou comodismo (porque está mais perto!), colocam os filhos em colégios que lhes prejudicam a alma, terão que prestar contas muito estreitas a Deus.

– O questionário poderia prolongar-se. Que diriam, por exemplo, se agora o Senhor lhes perguntasse o que fizeram para criar no lar – com as suas iniciativas, as suas devoções familiares, o seu exemplo – um clima intenso, inteligente, cálido, cheio de amor e devoção, para  preparar e celebrar bem o Natal; para preparar e celebrar a Semana Santa e a Páscoa; para viver a devoção a Maria no mês de Maio – , recitando, por exemplo, o terço em família –  e a Novena à Imaculada?

O que fizeram para que lembrassem com carinho os já falecidos, nas suas orações;  e para comemorar outras grandes datas do Ano cristão…? … E a bênção dos alimentos, é diária? E estão presentes as imagens piedosas – poucas, discretas e artísticas – , que fazem entrar pelos olhos a lembrança de Jesus, de Maria, dos santos Anjos, dos nossos amigos os santos…? Talvez seja a hora de fazer um “congresso familiar”, arregaçar as mangas e decidir-se a praticar cada dia, de maneira constante, as devoções que inserem Deus, a Mãe de Deus e os santos na vida da família.

 

Adaptação de um trecho do livro de F. Faus: A força do exemplo



[1] João Paulo II: Encíclica Ecclesia de Eucharistia, 17.04.2003, nn. 11, 12 e 16

[2] Catecismo da Igreja, nn. 1456; e Código de Direito Canônico, cân. 960 e 988.