A ALEGRIA DE DAR
Rabindranath Tagore é um poeta hindu, bengali, que ganhou o prêmio Nobel de literatura. Não era cristão, mas estava apaixonado pelo Evangelho de Jesus.
Um dos seus poemas em prosa, cheio de simbolismo, fala de um rei, um mendigo e da alegria de se dar:
«Ia eu pedindo de porta em porta pelo caminho da aldeia, quando a tua carruagem de ouro apareceu ao longe como um sonho magnífico. E eu perguntava-me, maravilhado, quem seria aquele rei de reis.
»As minhas esperanças voaram até o céu, e pensei que os meus maus dias tinham acabado. Fiquei aguardando esmolas espontâneas, tesouros derramados sobre o pó.
»A carruagem parou a meu lado. Olhaste-me e desceste sorrindo. Senti que por fim me tinha chegado a felicidade da vida. E eis que de repente estendeste-me a mão direita, dizendo: “Podes dar-me alguma coisa?”.
»Ah! Que lembrança a da tua realeza! Pedir a um mendigo! Eu estava confuso, sem saber o que fazer. Depois, tirei devagar da minha sacola um grãozinho de trigo, e te dei.
»Mas, qual não foi a minha surpresa quando, ao esvaziar à noite a minha sacola no chão, encontrei um grãozinho de ouro na miséria do montão.
»Com que amargura chorei por não ter tido a coragem de dar tudo» (Oferenda lírica).
Citado no nosso livro As verdadeiras alegrias