SÍMBOLOS: A BOCA DA BRUXA

A BOCA DA BRUXA

 

Muitas vezes, o “ambiente” do que  chamam “cultura atual”, pode ser comparado com uma figura da animação japonesa A viagem de Chihiro, aquela bruxa-monstro que, abrindo uma espécie de imensa boca no abdome engole tudo.

Penso que a ação dessa bruxa, que a menina Chihiro vence, é o retrato do que acontece com as pessoas que não tem caráter suficiente para procurar a verdade. A “pseudocultura” manipulada que está na moda as devora, como a bruxa, lhes digere a personalidade.

Não há muito, eu relia o livro de Joseph Conrad O espelho do mar. Impressionam as narrações desse grande escritor, que foi capitão da marinha mercante inglesa na época dos veleiros. Descreve uma tempestade provocada, na altura do Canal da Mancha, pelo “Rei dos Ventos”, o Vento Oeste. Nuvens carregadas, rajadas furiosas, ondas agressivas ameaçando o navio e seus tripulantes. E o que é pior: podem passar-se dias e noites sem enxergar um palmo à frente da proa.

«Ver! Ver! ─ escreve Conrad ─. Este é o anseio do marinheiro bem como do resto da humanidade cega. Ter caminho claro à sua frente é a aspiração de todo ser humano em nossa existência tempestuosa e anuviada. Já ouvi um homem silencioso e reservado, não especialmente ousado, depois de três dias de uma corrida dura sob um tempo carregado de vento sudoeste, explodir impetuosamente dizendo: “Por Deus, eu queria que pudéssemos enxergar alguma coisa!”».

Sem fé, o que é que nós vemos?

 

Adaptação de um trecho do livro Procurar, encontrar e amar a Cristo