SÍMBOLOS: O DESERTO DA NAMÍBIA

O DESERTO DA NAMÍBIA

Não sei se você assistiu a um documentário excelente sobre o deserto da Namíbia, na África. Creio que, na versão brasileira, se chamava, com um toque de humorismo, Os bichos também são gente boa.

Mostrava a desolação espantosa desse deserto, nos meses da seca. Quem não conhecesse a realidade diria que era como um Saara irrecuperável. No entanto – como acontece de modo análogo em muitos pontos do nosso sertão árido –, quando chegava a época das chuvas torrenciais, o deserto acordava, estremecia, pulsava, transformava-se num jardim exuberante de vida vegetal e animal: árvores frondosas, carregadas de frutos; arbustos; capim à farta; bandos de elefantes, búfalos, gnus, macacos…, lagos atulhados de peixes e povoados por aves inúmeras…

Pensando nisso, acho que é bom convencermo-nos de que, mesmo no pior momento da vida – no nosso deserto íntimo –, a graça divina, a semente de Deus (1 Jo 3,9) como a chama São João, ainda que pareça ter morrido, está presente neste nosso mundo atrapalhado, e continuará a despertar sempre fecundidade divina em muitas almas de cristãos fiéis a Deus e à Igreja. Quando a chuva da graça cai em almas “generosas e boas” (cfr. Lc 8, 18), pode despontar no mundo a renovação, um vergel divino.

 

Adaptação de um trecho do livro  Otimismo cristão, hoje