NATAL – O AMOR FIEL DE JOSÉ

São Mateus conta que, depois de Maria ter concebido por virtude do Espírito Santo, José, seu esposo, que era um homem justo e não queria infamá-la, resolveu deixá-la secretamente.

José, alguns meses após a Anunciação, percebeu a gravidez de Maria, que era um tremendo mistério entre ela e Deus. Sofreu sem compreender nada, mas em nenhum momento quis pensar mal dela. Ele amava Maria, ele a conhecia, ele percebia a pureza dos olhos, dos gestos, da alma dela. Mas sentiu-se envolto num mistério que o ultrapassava.

Para não a difamar, preferiu ficar pessoalmente mal e passar – se assim o quisessem pensar os outros – por um irresponsável que abandona a noiva grávida. Dessa maneira, ela ficava inocentada. Preferia sujar a sua própria imagem, antes que profanar aquele amor santo, que o próprio Deus tinha feito nascer entre ele e Maria.

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José, diz o Evangelho, era um homem justo. José foi justo porque soube escolher a conduta justa, a conduta reta, quando agir assim era difícil e pedia heroísmo. Esqueceu-se de si: deu a sua honra, renunciou aos seus planos, fez o sacrifício em silêncio.

Enquanto assim pensava – diz o Evangelho –, eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela foi concebido é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e tu lhe porás o nome de Jesus, porque Ele salvará o seu povo dos seus pecados.

Com que carinho, com que admiração, com que veneração olharia a partir daquele momento para Maria, Mãe de Deus e sua esposa castíssima! Se antes disso já era justo e vivia em plena harmonia com Deus, a partir desse instante iria ser ainda mais justo e afinado com Deus.

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José, o homem justo, está “ajustado” com Deus, acolhe a vontade de Deus com o coração aberto. Na hora, com a paz do amor e da consciência limpa, se lança a pôr em prática o que Deus lhe solicita.

Não temas receber Maria – pediu-lhe Deus. E o que fez José? Despertando do sono, fez como lhe ordenou o anjo do Senhor, e recebeu sua esposa. Obedeceu com fidelidade delicada. E agiu assim nas outras circunstâncias em que Deus lhe pediu coisas muito  difíceis.

Assim, quando Deus o chamou para que fugisse para o Egito, livrando o Menino da perseguição de Herodes, levantou-se de noite – na hora! −, tomou o Menino e sua Mãe e partiu para o Egito. E quando, após a morte de Herodes, Deus lhe indicou que voltasse para a sua terra, levantou-se, tomou o menino e sua Mãe e voltou para a terra de Israel. Sempre, ao pé da letra, esteve em sintonia com a vontade de Deus!

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Esta é a grande lição que José nos dá. Aprendamos dele a ser justos e retos, a não torcer os caminhos de Deus com os desvios do interesse, da vaidade, do medo e do comodismo; procuremos estar sempre em harmonia com o que Ele quiser.

Se assim fizermos, o Menino do presépio sorrirá para nós, e nós seremos felizes.

 

Resumo de um capítulo do livro de F. Faus Contemplar o Natal