NATAL – MARIA VISITA ISABEL

Por aqueles dias – logo depois da Anunciação –, pôs-se Maria a caminho e dirigiu-se à pressa para a montanha, a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias – o marido da sua prima Isabel – e saudou Isabel.

O que a moveu a ir correndo à casa da sua prima Isabel?

No dia da Anunciação o Anjo Gabriel, para explicar a Maria que era possível tornar-se Mãe de Jesus e permanecer virgem, deu-lhe uma prova palpável de que nada é impossível para Deus. A prova era que a sua parenta Isabel tinha concebido um filho em idade já avançada e estava no sexto mês, ela a quem chamavam estéril.

O Anjo mencionou isso só de passagem. Maria, porém, captou a notícia no ar: Isabel, já além da idade própria para engravidar, com certeza precisaria de ajuda. Imediatamente, sem pensar em si mesma, partiu à pressa para ajudar Isabel.

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O escritor católico francês Ernest Hello repetia que “amar é adivinhar. Tinha razão. Quem não é capaz de adivinhar o que o outro precisa, não ama de verdade. Quando temos carinho, vemos, captamos.

O marido que ama percebe que a mulher precisa de um gesto de afeto, de um sorriso de agradecimento, de uma palavra de consolo. A mulher que ama descobre logo quando o marido precisa de bom humor lá em casa, de um ambiente positivo e encorajador.

Tenhamos cuidado se dizemos: «Eu sou muito distraído; gosto muito de vocês, mas sou meio aéreo, esqueço-me, não me dou conta do que vocês precisam.  Noventa por cento das vezes, esse esquecimento é consequência de pensarmos demais nas nossas coisas e pouco nas dos outros. O eu ocupa tanto espaço na cabeça e no coração que os outros não cabem.

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Maria foi servir Isabel sem que ninguém lhe pedisse. Antecipou-se, adiantou-se. Nós, muitas vezes, ficamos aguardando que os outros se manifestem para nos decidirmos a dar uma mão; e até acontece que quando pedem alguma ajuda, reagimos com má vontade.

Maria ama, e por isso adivinha e se antecipa. Como seria bom que, nestes dias próximos do Natal, nós procurássemos adivinhar as necessidades alheias – em casa e fora de casa – e soubéssemos antecipar-nos, para servir e dar alegrias.

 

Resumo de um capítulo do livro de F. Faus Contemplar o Natal