NATAL – AS ALEGRIAS DE MARIA E ISABEL

Quando o Evangelho fala da Visitação, conta que, ao ouvir Isabel a saudação de Maria, o menino [o futuro São João Batista] saltou-lhe de alegria no seio e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Então Isabel olhou, encantada, para Maria e exclamou em voz alta: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.

Por que essa alegria de Isabel e seu filhinho João, ainda não nascido?

A resposta é clara: porque ali estava Maria, e ela trazia Jesus no seio. Deus quis que Maria, desde que concebeu o filho, fosse medianeira da graça entre Cristo Salvador e os homens. Pela presença de Cristo, trazido por Maria, o Espírito Santo desceu àquelas almas e derramou nelas a alegria de Deus.

***

Também Maria se sentiu inundada pelo gozo do Espírito Santo, e extravasou-o num cântico, o Magnificat, que é uma das orações mais sublimes, um dos poemas mais belos que jamais se entoaram em louvor de Deus.

Que coisas canta a alegria de Nossa Senhora?

Em primeiro lugar, como ela diz, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhou para a pequenez da sua serva!

É o coração humilde que agradece, o coração da criatura que se sente pequena diante de um Deus que a ama tanto.

A Bíblia afirma muitas vezes que Deus ama os humildes e lhes dá a sua graça. Pelo contrário, afasta o seu olhar dos orgulhosos.

É uma pena um coração orgulhoso. O orgulho é o pecado que mais desgosto causa a Deus, porque é o grande inimigo do amor. Sem humildade, não há amor. E, sem amor, não há alegria. Não é o orgulho ferido, o ressentimento, a arrogância de não querer pedir perdão, a causa da maior parte das brigas e divisões nas famílias? Essas divisões que doem tanto e que são mais dolorosas no tempo de Natal!

***

Em segundo lugar, Maria sabe que o olhar de Deus é carinho de Pai que nos cuida,  nos acompanha e faz maravilhas na nossa vida. Fez em mim maravilhas – canta Maria – aquele que é poderoso e cujo nome é Santo.

Essa alegria de viver sob o olhar amoroso do Pai, que inundava a alma de Maria, também fazia vibrar São Paulo: Se Deus é por nós – dizia –, quem será contra nós? Aquele que não poupou o seu próprio Filho, mas que por todos nós o entregou, como não nos dará também com ele todas as coisas? São palavras que se entendem bem quando se contempla Deus feito Menino, que vem dar a vida por nós e por nossa salvação.

São Paulo resumia essa visão otimista, tão própria dos filhos de Deus, com uma frase que deveríamos trazer gravada na alma: Nós sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus. Se conseguíssemos assimilar essa verdade, se fôssemos capazes de amar com essa confiança, nada nos roubaria a paz.

 

Resumo de um capítulo do livro de F. Faus Contemplar o Natal