Mês de Maria: Novena a Nossa Senhora (7)

SÉTIMO DIA – MARIA E A CRUZ DE CADA DIA
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Meditar com São Josemaria
Maria, Mestra do sacrifício escondido e silencioso! – Vede-a, quase sempre oculta, colaborando com o Filho: sabe e cala [Caminho, n. 509].
Não há dúvida de que, durante a sua vida terrena, Maria não foi poupada nem à experiência da dor, nem ao cansaço do trabalho, nem ao claro-escuro da fé … O seu fiat, “faça-se”, não se manifestou em ações aparatosas, mas no sacrifício escondido e silencioso de cada dia. – Ao meditarmos nestas verdades …, percebemos que o valor sobrenatural da nossa vida não depende de que se tornem realidade as grandes façanhas que às vezes forjamos com a imaginação, mas da aceitação fiel da vontade divina, de uma disposição generosa em face dos pequenos sacrifícios diários  [É Cristo que passa, n. 172].
Diz que já não queres decepcionar mais o Senhor… É o momento de acudires à tua Mãe bendita do Céu…; e procura depois fazer propósitos concretos…: o amor se demonstra de modo especial em ninharias; ordinariamente, os sacrifícios que o Senhor nos pede, os mais árduos, são minúsculos, mas tão contínuos e valiosos como o bater do coração.
Quantas mães conheceste tu como protagonistas de um ato heroico, extraordinário? Poucas, muito poucas. E, no entanto, mães heroicas, verdadeiramente heroicas, que não aparecem como figuras de nada espetacular, que nunca serão notícia – como se diz – tu e eu conhecemos muitas: vivem negando-se a todas as horas, cerceando com alegria os seus próprios gestos e inclinações, o seu tempo, as suas possibilidades de afirmação ou de êxito, para atapetar de felicidade os dias de seus filhos [Amigos de Deus, n. 134].
Oração
Minha Mãe Imaculada, Mestra do sacrifício escondido e silencioso, peço-te que me ajudes a imitar-te; que eu saiba fazer – como tu –, das ocupações e circunstâncias da vida cotidiana,  uma constelação de atos de amor a Deus e ao próximo, vivificados pela chama do sacrifício.
Que eu saiba acolher com fé e sem medo o convite de Jesus: «Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz cada dia, e siga-me» (Lc 9,23); e que compreenda que abraçar generosamente a Cruz de Cristo, dando-me a Deus e aos outros no dia-a-dia, é encontrar o amor e a alegria.
Abre-me, Mãe, as portas do coração para corresponder a este apelo: «Quando vires uma pobre Cruz de madeira, só, desprezível e sem valor… e sem Crucificado, não esqueças que essa Cruz é a tua Cruz: a de cada dia, a escondida, sem brilho e sem consolação…, que está esperando o Crucificado que lhe falta. E esse Crucificado tens que ser tu» (Caminho, n. 178).
A Cruz de cada dia! Mãe, ajuda-me a ver onde está realmente essa Cruz “vulgar”, que Jesus me convida a tomar todos os dias: No cumprimento exato dos horários que marquei para aproveitar bem o tempo; na pontualidade na hora de me levantar, e também na hora de enfrentar com fortaleza e sem delongas uma tarefa mais árdua; na fidelidade aos planos de oração e de outras práticas espirituais; na renúncia elegante a gostos ou caprichos pessoais (em relação aos planos, descansos, comidas…) sobretudo se desagradam aos outros… (cf. Amigos de Deus, n. 138)
Dá-me mais luzes, para que eu descubra também a Cruz de cada dia na caridade delicada ao tratar com os demais, especialmente se estão doentes ou passam por um período de sofrimento; na paciência para tolerar as indelicadezas alheias; na decisão de enfrentar com bom humor as pequenas contrariedades de cada dia, e de não dar importância aos pormenores desagradáveis dos que convivem comigo; no esforço por sorrir quando estou cansado ou preocupado; na coragem de corrigir a quem precisa ser ajudado, na tenacidade para terminar os trabalhos começados, até colocar a “última pedra”…, tendo o cuidando de colocar todas as “pedras” intermediárias entre a primeira a e a última…(cf. Amigos de Deus, n. 138 e Caminho, n. 173).
Quereria aproveitar melhor essas oportunidades de imitar Jesus e a ti, de servir e de ir dando cotidianamente a vida pelo bem dos outros (cf. Mt 20,28). Sei que se fizer assim, aconteça o que acontecer, experimentarei junto de ti, Mãe, esta grande verdade: «O caminho do Amor chama-se Sacrifício» (Forja, n. 768).